ESCRITO POR
LUCAS LIMA
Fechamento da leitura
Opa!
Em primeiro lugar, quero agradecer a todas as mensagens de felicidades que vocês mandaram nos últimos dias. Foi muito bom receber esta overdose de carinho, principalmente numa fase tão feliz e bacana da minha vida. Valeu mesmo!!
Mas vamos falar do livro A menina Que Roubava Livros (vamos abreviar para AMQRL). Vou tentar não entregar muito pro pessoal que ainda não terminou o livro. Quero começar pedindo desculpas pra quem não gostou, e deixar claro que a indicação do livro não foi bem uma “dica”, dado que eu também ainda não tinha lido este.
Algumas pessoas perguntaram o que exatamente eu estava achando de tão divertido no livro, sendo que, sem dúvida, não é dos livros mais felizes...
A verdade é que comecei a ler este logo após ter terminado um livro chamado Crime e Castigo, de um escritor chamado Fiodor Dostoiévski, e quem já leu este livro, sabe que é beeeeeem mais pesado do que AMQRL. (Este sim é uma dica! Pesadaço, mas muuuuito bom, mesmo!! Pega a edição da Editora 34. É muito mais caro, mas a tradução é direto do russo e vale a pena o investimento)

Eu não costumo ler muito estes Best Sellers, tipo O Caçador de Pipas (que muita gente citou nos comentários), Marley e Eu (idem), etc. Não por preconceito nem nada, mas simplesmente porque o meu gosto pessoal acaba sempre me levando ou a livros mais antigos, ou a títulos que tragam estórias de períodos mais antigos. Mas achei AMQRL muito bacana. É uma das primeiras vezes que me vejo exposto à realidade da Segunda Guerra pelos olhos do povo alemão. Temos inúmeros exemplos de pontos de vista dos exércitos, sejam dos alemães ou dos aliados, e principalmente do povo que mais sofreu, os judeus (sobre estes temos incontáveis livros e filmes), mas especificamente do povo alemão, não me lembro de nenhum. Talvez até existam vários relatos, mas nunca nenhum havia chegado a mim.
Achei muito interessante de ver como grande parte da população não só estava alheia ao que acontecia, como até mesmo era contra! No caso dos moradores da Rua Himmel, muitos nem sequer sabiam o que acontecia exatamente nos Campos de Concentração. É estranho, pois como parte da minha família tem ascendência alemã, sei que muitos sofreram preconceito aqui mesmo no Brasil simplesmente por serem alemães em meados da década de 40, e foram forçados a deixar de falar alemão em público. Não estou de maneira nenhuma comparando este sofrimento ao dos judeus, só citando um fato. Acho que hoje acontece algo parecido quando vemos manifestações de hostilidade para com americanos, sendo que grande parte do povo não faz idéia da política externa de seu país. O povo, na verdade, só tem acesso ao que seus meios de comunicação divulgam, logo, a realidade é o que se vê na televisão, o que é algo realmente perigoso, como já tivemos a oportunidade de experimentar aqui mesmo no blog, em escala infinitamente menor.
Mas o que acho que mais me marcou neste livro é a mensagem mais óbvia dele mesmo: o poder das palavras. Durante o livro, Liesel se dá conta de que a maior forma de poder que se pode dominar é a palavra. Seja na maneira como o Führer convence as pessoas a travar sua guerra sem que ele precise pegar numa arma ou em como a menina consegue acalmar os vizinhos em pleno bombardeio apenas lendo uma história, a palavra vai se apresentando como o mais potente canhão, a mais eficaz bomba, a mais devastadora arma. Com a palavra moldamos o mundo, seja para o bem ou para o mal. Somos nós que escolhemos.
Hoje em dia, a internet põe todos nós no mesmo patamar. Qualquer um com um computador e acesso à web pode, em seu blog ou no dos outros, divulgar suas opiniões, dividir suas filosofias, juntar pessoas em prol de determinada causa ou até mesmo detonar outras pessoas. Isso é um poder absurdo. E como, se estivermos com os ouvidos abertos, qualquer lugar é fonte de sabedoria, me vem a cabeça esta frase: “Com grande poder, vem grande responsabilidade”.
Acho essa a grande sacada do livro. Quando nos deparamos com este poder das palavras e tomamos consciência de que todos podemos utilizá-lo, temos também que escolher um caminho: como vou usar este poder?
A resposta é: cada um com seus pobrema! Cabe a cada um decidir como lidar com isso e, na minha opinião, quando a pessoa tem o poder nas mãos é que vemos quem realmente ela é. Podemos usar esta ferramenta para divulgar coisas interessantes, ou pelo menos que cada um ache interessante, para passar mensagens legais, dividir alegrias ou também podemos usar pra incomodar, mentir, manipular, etc. Podemos usar o poder para acalmar as pessoas em seus maiores momentos de pavor como o fez Liesel, ou para incitar o ódio e o preconceito como o Führer.
AMQRL também é um grande folheto de propaganda para a própria leitura em geral. Nos mostra também que vivemos em uma época que nos permite ler e ter acesso a qualquer livro que nos interesse e nos faz pensar em como não damos o devido valor a este privilégio. Ler livro foi até motivo de gozação nos últimos dias!! Se lembrarmos de AMQRL, vemos que ler podia significar até mesmo perigo de vida, e que mesmo assim, as pessoas lutavam por esse direito. Eu acho que nem é mais um direito, mas um dever que temos para com estas pessoas de desfrutar esta benção que chegou até nós banhada em sangue e suor de gerações anteriores. Tivemos censura por muito tempo aqui mesmo no Brasil, e grandes artistas como Caetano (pra citar um) fizeram inúmeros sacrifícios para nos devolver esta liberdade. E nós aqui, com toda liberdade do mundo, falando no MSN... (não que eu ache ruim, só acho que também não pode ser a única coisa que fazemos...)
Trilha Sonora

O pessoal pediu também para eu indicar alguma coisa pra ouvir. Já tinha algumas idéias de começar devagarzinho e ir pegando pesado aos poucos, mas acho que tem uma peça bem densa mas que é ótima para servir de trilha para este livro. Uma peça chamada Quarteto para o fim do tempo (Quatour pour la fin Du temps), de um dos compositores eruditos mais importantes do século passado, Olivier Messiaen. Esta peça foi escrita enquanto o próprio compositor estava em cativeiro em um Campo de Concentração, e foi composta para piano, clarineta, violino e violoncelo. Esta instrumentação incomum (instrumentação: instrumentos para os quais o compositor escreve determinada peça) se deu pelo fato de o compositor escrever para os instrumentistas que tinha disponíveis no Campo. A estréia foi dentro de um campo de concentração, executada em um cello com apenas 3 cordas (normalmente tem 4) e piano com teclas quebradas, mas relatos de quem assistiu dizem coisas como “nunca ouvi tamanho silêncio”. Dá pra imaginar a sensação das pessoas lá, sem esperança nenhuma, e quem tiver a chance de ouvir esta obra, vai sentir a dor e a inércia contida nesta peça que, propositalmente, gira em torno de si própria, procurando retirar do ouvinte a sensação do “tempo”. Se possível, dêem uma pesquisada na net sobre esta peça, pois por aí tem inúmeras análises dela.
Próxima leitura
Estou começando a ler um livro chamado “A Volta do Parafuso”, de um escritor chamado Henry James. Esse cara é pra ser um dos mestres do terror psicológico, e este livro teve até adaptação pro cinema com roteiro de Truman Capote! Chique no úrtimo!!
A edição que estou lendo é da L&PM Pocket, e é a qual recomendo. Tem uma que tem o texto em inglês junto, mas a tradução é uma porcaria. Tem várias outras com texto adaptado para “leitores jovens”, seja lá o que isso quer dizer, mas não confio nestas. Esta da L&PM vem ainda com mais um livro, então acho que vale a pena. Comprei na Livraria Cultura por R$ 12, 00.

Abraços
ESCRITO POR
LUCAS LIMA
Show - Picada Café
Ae!
Acabei de voltar do show em Picada Café, mas tinha que comentar sobre este.
O show aqui foi para a 8a Feira do Livro da cidade. O projeto é incrível. Além da feira, a prefeitura distribui 1.700 vale-livros para as crianças da rede pública de ensino no valor de R$ 20, 00. Isso mesmo, R$ 34.000!!!
Outra coisa legal é que uma tia minha, formada em Letras, tinha ficado com vontade de ler A Menina que Roubava Livros depois de ter visto o post e foi comprar lá na feira. O pessoal falou que foi um dos que mais vendeu e estavam apenas com pouquíssimas cópias. O comentário é que este livro começou a vender muito na última semana. Coincidência ou não, fico muito feliz em pensar que isso possa ter algo a ver com a "polêmica" que rolou em cima do blog. Como é bom ver bons frutos, mesmo quando a semente é duvidosa!
Valeu gurizada, agora é passar medo no A volta do Parafuso...