ESCRITO POR
VAVÁ
HOJE É O DIA DO "SANTO REIS!"

(Aquarela de Diógenes Paes)
Na Argentina (E não me venham com preconceitos, por favor!) rola um costume muito poético em todo 6 de janeiro. Na véspera as crianças deixam alimentos ao lado de suas camas. É para que os Reis Magos tenham alimentos para a viagem rumo ao encontro com o Menino Jesus. Eles pegam os alimentos e deixam brinquedos; uma bela permuta. O Dia de Reis, lá, é um dia de troca de presentes.
“Os devotos do Divino vão abrir sua morada
Pra bandeira do menino ser bem-vinda, ser louvada, ai, ai
Deus nos salve esse devoto pela esmola em vosso nome
Dando água a quem tem sede, dando pão a quem tem fome, ai, ai”
Gosto especialmente da simbologia, do aprendizado dentro da atitude. A criança deve pensar em oferecer algo, para merecer um presente dos Reis. As tirinhas da personagem MAFALDA, do cartunista QUINO, apresentam deliciosas tiradas das crianças em função desta data.
Nunca tive o dia de hoje como uma data forte. Lembro-me de minha avó, costurando sementes de romã, que deveriam ser guardadas durante todo o ano, para garantir fortuna. Aqui em Uberaba, no bairro Boa Vista, as FOLIAS DE REIS são mais fortes que a data, 06 de janeiro. Aliás, por aqui, esta mais pra música do TIM MAIA, que não especifica data.
“Hoje é do dia do Santo Reis
Anda meio esquecido
Mas é o dia da festa do Santo Reis
Eles chegam tocando sanfona e violão
Os pandeiros de fita carregam sempre na mão
Eles vão levando, levando o que pode
Se deixar com eles, eles levam até os bodes...”
As Folias de Reis saem na noite de Natal. Vão de casa em casa, anunciando a chegada do Filho de Deus. Sempre cantando pedem licença para entrar; fazem saudações aos donos da casa, contam a história dos Reis Magos (Melchior, Gaspar e Baltazar) e, antes do final, convidam para uma festa, em dia e hora estabelecidos, para a qual solicitam donativos.
Lembro de mais de uma dezena de grupos de Foliões. Nas madrugadas de dezembro ouvíamos dois ou três, cantando simultaneamente, nas residências vizinhas. Se os diferentes grupos realizassem a festa no mesmo dia ocorreria um esvaziamento. Penso ser esta a razão para as diferentes datas da festa de cada grupo.
“Os três Reis quando souberam
Viajaram sem parar
Cada um trouxe um presente
Pro menino Deus saudar!”
Muitas outras festas, precedendo colheitas, comemoram e louvam os Reis Magos. Na cantoria é peculiar o fato de os homens que fazem o coro esticarem a última nota, com predominância da voz aguda, sobre a grave (normalmente, o tom grave cabe ao solista).
As festas de TONINHO E MARIETA ficaram famosas, fizeram lenda. Os familiares preservam o costume. Um dos momentos mais significativos é a passagem da Bandeira; a família que realiza a festa transmite a Bandeira do Divino para outra, que sediará a festa no próximo ano.
Aqui em casa, a Folia do “Seo Geraldo” sempre foi a mais presente. Papai recebia os foliões com respeito e devoção. A Igreja Católica, durante toda a minha infância, ignorou a manifestação popular. Hoje em dia são comuns as celebrações nas diversas paróquias da cidade. Já tive a oportunidade de presenciar um encontro desses, na Paróquia de Nossa Senhora das Graças; é emocionante.


Nas três referências musicais deste post, a diversidade e a musicalidade brasileira, convivendo e enriquecendo a festa, que encerra o ciclo natalino. Passa pelo apelo social de IVAN LINS, a euforia dançante de TIM MAIA e a terceira, já de domínio popular, cujo registro que mais aprecio é o que foi feito por NALVA AGUIAR.
Feliz dia de Reis para todos!
Até!
Notas Musicais:
Bandeira do Divino – Ivan Lins / Vitor Martins
A Festa de Santo Reis – Márcio Leonardo
Hino de Reis – Baseado no folclore popular