Acho que esta é única entrevista 100% inédita deste livro.
Entrevistei o Daniel via MSN em 2005, época em que o Nx Zero estava prestes a explodir, e peguei pesado.
Minha idéia era tirar algo dali, alguma coisa bombástica sobre a mais nova “maior banda de todos os tempos da última semana”, mas o baterista soube sair bem da entrevista, já mostrando que o futuro dele(s) seria mesmo conversas à lá revista Capricho.
A entrevista nunca foi lançada, ia sair no jornal Antímidia, mas ficou arquivada, ao menos, até agora.
A pródiga cria de Rick Bonadio, formada na cena paulistana, contando até com um ex-integrante da novela argentina Chiquititas, cresceu, e hoje em 2007 é a maior banda pop do Brasil.
O Nx Zero é uma das bandas mais bem sucedidas em 2005, alcançando altos patamares no cenario naconal, tanto em venda de discos quanto popularidade nos shows. Você achava que o conjunto ia chegar nesse nível?
Na verdade nunca ficamos pensando e confabulando aonde e como iríamos chegar, isso é apenas consequência de nossa sinceridade.
Você não acha que um fato que contribuiu para esse patamar foi o fato de várias meninas gostarem da banda só por vocês serem garotos bonitos e merdas assim?
Sim claro, pegue como exemplo o Nirvana que no inicio conseguiu bastante coisa por causa disso. Não vejo muita coisa ruim em cima disso, isso fica apenas como um apelativo para quem acha que apenas isso vale, quando estamos aqui para mostrar outras coisas completamente diferentes.
Uma das coisas que bandas novas como vocês sempre têm que provar é o lance de ter conteúdo e bagagem, pois alguns desmerecem conjuntos novos pelo simples fatos de serem novos. Você acha que o Nx Zero já superou esses tipos de preconceitos?
Não sei se passamos muito por isso, nunca senti muito isso em relação a nosso som e nossa banda, pois começamos com pessoas da nossa idade e no nosso ritmo, não chegamos nessa cena do nada, e por causa de amizades, fomos ao poucos conquistando nosso espaço coisa que damos muito valor.
Mas você sente o peso da responsabilidade de saber que sua banda, mesmo sendo nova, já ultrapassou dezenas de baluartes da cena, tanto em vendagem e popularidade, quanto em influência sobre os fãs?
Isso para nós ainda não é nada do que queremos em relação a nossa vida musical,
achamos que nossa mensagem vai muito além de vender vários cds e ficar em primeiro nas votações de ‘banda revelação’. Queremos que nossa mensagem seja simples. Simples como saber ser sincero, e acho que se ficarmos nos prendendo nessa de que muita gente se influencia em nós, em nossas roupas, e outras coisas fúteis como essa não iremos a nenhum lugar.
Você citou bastante e simplicidade da mensagem e do espirito do Nx Zero em si, coisa que vai contra a corrente da maioria das bandas da sua geração, que cada vez mais enchem as músicas de notas e passagens e criam letras repletas de metáforas sem sentido. Você acha que com esse caminho inverso, o Nx Zero pode chegar onde? E onde acha que chegarão os que vão com a maré?
Esse é o lance, ninguém chegou para nós quando fizemos a banda e disse: Olha escolham tal caminho pois esse é o destino de vocês. Se tivesse sido assim, seria tudo mais fácil, achamos o nosso caminho no meio de tudo isso e sabemos que se for sincero será o nosso caminho, e talvez tenhamos chance, não de ficar famosos e desfrutar de tudo que todos sonham, mas sim de alcançar mais e mais pessoas para passar nossa energia em forma de musica.
O Nx Zero, logo quando começou a estourar, foi alvo de grandes armadilhas da cena, caso de trocarem cd's que não vendem pelos de vocês, tocar em festivais em troca de ninharia etc. Vocês aprenderam em cima disso? Como a banda se porta hoje em dia?
Isso com certeza é algo que todas bandas tinham que se conscientizar e mudar. Primeiro, acredito que esse lance de vários grandes festivais que bandas que estão começando acham lindo tocar para 3 mil pessoas e vender ingressos e não receber nada, é uma puta palhaçada e um desrespeito absurdo para os músicos, hoje o que importa infelizmente no meio é ganhar dinheiro e como fazer isso não importa mais, se é passando por cima de todos ou não, é indiferente, a nossa postura em relação a isso é simples, tocamos sim quando é algo justo para todos, quando a galera não morre por estar assistindo a 30 bandas tocando numa noite ou 5 bandas iniciantes vendendo ingressos para simplesmente fazer um show com outra bandas que gostam.
Recentemente vocês lançaram o cd split Projeto Lado C, e ouviu-se comentários e boatos de que o cd teria sido uma grande guerra de egos e briga por dinheiro. O que você pode dizer sobre o cd e esses boatos?
Posso dar bastante risada, apenas. A idéia inicial surgiu quando estávamos no Sonrisal (na época, integrante da banda Aditive), e decidimos juntar três bandas que se dão bem, com som legal, para lançar um trabalho juntos aproveitando bandas do mesmo selo que seria a Urubuz Records. E até agora eu nunca tinha escutado nada sobre tais esse boatos. Briga de dinheiro, só se for pra ver quem irá pagar.
Quais são os planos do Nx Zero para 2006?
CD novo que sairá até o fim do primeiro semestre, nosso primeiro vídeo-clipe estreará na MTV. E shows e mais shows por onde nos chamarmos. O resto, conquistar o mundo.
O que ouvir?
Nx Zero – “Diálogo?”
(2004 – Urubuz Records)
Entrevista publicada originalmente aqui.